Por que o ligamento cruzado rompe?
O ligamento cruzado cranial ajuda a manter o joelho estável, limitando movimentos excessivos entre o fêmur e a tíbia. Ele corresponde ao que, em humanos, chamamos de ligamento cruzado anterior.
Nos cães, a ruptura costuma estar relacionada à doença do ligamento cruzado: suas fibras perdem resistência ao longo do tempo. Por isso, o ligamento pode romper durante uma atividade habitual, sem um acidente evidente.
Genética, características do corpo, excesso de peso e condição física podem participar desse processo. Traumas também podem causar ruptura, mas não explicam todos os casos. A doença pode atingir cães de diferentes raças, portes e idades, inclusive animais jovens. [1]
O raio X confirma a ruptura?
O raio X ajuda na investigação, mas não mostra diretamente se o ligamento está íntegro ou rompido. Ele permite avaliar alterações do joelho, como aumento de líquido na articulação e sinais de artrose, além de fornecer informações para planejar a cirurgia.
O exame ortopédico é fundamental. Nele, o veterinário avalia dor, mobilidade e estabilidade, utilizando manobras como os testes de gaveta e de compressão tibial. Em alguns pacientes, a sedação facilita uma avaliação adequada.
Uma lesão parcial pode ser mais difícil de identificar. Não encontrar uma gaveta evidente não exclui a doença. A interpretação depende do conjunto de achados. [2]
Quando persistem dúvidas, exames complementares podem ajudar. A ultrassonografia articular especializada é uma possibilidade, mas seu resultado depende da técnica, do equipamento e da experiência do examinador. Um ultrassom positivo não deve ser tratado como confirmação infalível. [3]
A ressonância magnética e a artroscopia também podem ser indicadas em situações selecionadas. A artroscopia permite observar o interior da articulação com uma pequena câmera. Nem todo paciente precisa desses recursos para chegar ao diagnóstico. [2]
Como funciona a cirurgia de TPLO?
TPLO é a sigla de uma cirurgia que modifica a inclinação da parte superior da tíbia, chamada platô tibial.
Imagine essa superfície como uma pequena rampa. Sua inclinação influencia as forças que atuam no joelho quando o cão apoia a pata. Com o ligamento comprometido, essas forças favorecem um deslocamento anormal entre os ossos.
Na TPLO, o cirurgião realiza um corte planejado no osso e reposiciona essa superfície para reduzir o deslocamento durante o apoio. Uma placa e parafusos mantêm a posição enquanto o osso consolida.
Assim, a técnica modifica a mecânica do joelho, sem reconstruir o ligamento rompido. Sua descrição clássica foi publicada por Barclay Slocum e Theresa Devine Slocum em 1993. [4]
Assista: entenda a doença e a cirurgia de TPLO
“Na minha opinião, este é o melhor vídeo explicativo disponível sobre a doença do ligamento cruzado e a técnica de TPLO. Recomendo que assistam para entender melhor o problema e como a cirurgia funciona.”
— Dr. Tiago Roncatto
▶CCL Tears and How a TPLO Surgery WorksAssistir no YouTube
Por que cada cão precisa de um planejamento próprio?
O ângulo do platô tibial varia entre os pacientes. Em casos de inclinação excessiva, pode alcançar valores próximos de 45° ou 50°. Isso exige atenção ao planejamento, mas o ângulo sozinho não confirma a ruptura nem define toda a cirurgia.
Em determinadas anatomias, a osteotomia em cunha de fechamento — retirada de uma pequena cunha de osso para modificar o alinhamento — pode ser considerada, inclusive em associação com a TPLO. Essas combinações têm indicações específicas. [5] [6]
Também existem alternativas como CBLO, TTA e estabilizações extracapsulares, incluindo TightRope. A escolha considera anatomia, porte, atividade, instabilidade e condições gerais de saúde. A TPLO é amplamente utilizada, mas a recomendação deve ser individual. [1]
Quando há luxação de patela associada, adaptações da técnica e procedimentos adicionais podem ser necessários para tratar os dois problemas. [7]
O menisco também precisa de atenção
Os meniscos ajudam a distribuir a carga dentro do joelho. A instabilidade causada pela ruptura do ligamento pode provocar lesões nessas estruturas.
Por isso, avaliar os meniscos faz parte do cuidado cirúrgico. Se houver uma lesão, seu tratamento deve ser definido conforme o tipo e a extensão do dano, preservando o tecido saudável sempre que possível.
Uma lesão meniscal não identificada, ou que apareça posteriormente, pode contribuir para dor e persistência da dificuldade para caminhar. [8]

É importante tratar sem adiar desnecessariamente?
Sim. Um joelho instável pode continuar dolorido e sofrer danos adicionais. Depois de confirmar o diagnóstico, é importante definir o tratamento sem adiamentos desnecessários.
Isso não significa que todos os cães devam ser operados imediatamente. A avaliação clínica e o planejamento precisam estabelecer a melhor conduta e o momento adequado para cada paciente. [2]
Como é a recuperação após a TPLO?
A recuperação acontece por etapas. O apoio da pata pode melhorar antes de o osso estar consolidado. Por isso, caminhar melhor não significa estar liberado para correr, pular ou brincar sem controle.
O acompanhamento costuma envolver controle da dor, cuidados com a ferida, atividade restrita e reabilitação orientada. As liberações devem acompanhar a evolução de cada paciente. [1]
As radiografias de retorno permitem avaliar a consolidação e a posição dos implantes. Elas complementam o exame clínico na decisão de aumentar gradualmente as atividades. [9]
Quais são os riscos e o que esperar do resultado?
O objetivo é melhorar o conforto e a função do membro, mas não é possível garantir recuperação de 100% em todos os pacientes. A artrose já existente e as lesões associadas podem deixar limitações. Mesmo com boa evolução funcional, alterações de artrose podem continuar progredindo. [10]
Complicações possíveis incluem infecção, alterações na cicatrização, fraturas, problemas com os implantes e novas lesões meniscais. Nem todas têm a mesma gravidade.
Em um estudo com 1.519 TPLOs, publicado em 2014, foram registradas complicações em 11,4% dos procedimentos, sendo 3,1% classificadas como maiores. Esses números descrevem aquela população e não representam uma taxa universal. [8]
Uma revisão sistemática publicada em setembro de 2026 estimou a ocorrência de infecção do local cirúrgico em 5,6%, reunindo resultados de diferentes estudos. Esse número se refere especificamente a infecções, não ao total de complicações, e não prevê o risco individual de um cão. [11]
Suspeitas de infecção ou problemas com os implantes precisam de avaliação rápida. O tratamento depende da causa e pode exigir exames, medicação direcionada ou nova intervenção. [12]
O próximo passo para cuidar do joelho do seu cão
Um bom tratamento começa com um diagnóstico cuidadoso, passa pelo planejamento individual e continua no acompanhamento da recuperação.
Seu cão está mancando ou recebeu uma suspeita de ruptura do ligamento cruzado? Agende uma avaliação com o Dr. Tiago Roncatto para entender o diagnóstico e discutir as opções de tratamento.
Se você mora em outra cidade ou estado, informe sua localização à equipe para consultar as possibilidades de atendimento e organização da cirurgia.
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